Divido minhas estórias em três livros.

O primeiro, cujo nome sem nome ainda é “Contos e Enredos”, contém uma dezena de contos tal como se costuma entendê-los, mais quatro ou cinco narrativas que eu chamo particularmente de roteiros – por serem aventurescas e influenciadas pelo cinema. Também se encontrará uma passagem autobiográfica, no enredo de “Da Dúvida”. Para mim, tudo é estória; a convivência de formas distintas não me preocupa.

O segundo livro, “Só Sonho”, reúne dezenove sonhos da minha vida. Eu também, como vocês, acho os sonhos chatos. A quase totalidade deles só interessa a quem sonha e a um possível terapeuta. Contudo, alguns parecem alcançar uma autonomia quase impessoal, enviados quem sabe por um velho Gepeto fabricante de arquétipos, que nos usa como intermediários para as suas traquinas. Se eu não estiver enganado, esse é o caso dessa reunião, em que espero não ter caído em subjetivismos surreais. Ao menos sete sonhos têm a forma de conto, três precisaram de versos e os demais são crônicas poéticas.

Quanto a “Fábulas e Lorotas” (nome também provisório) não sei bem o que dizer. São putarias sem qualquer responsabilidade ética ou estética. Talvez contenham humor – nem isso eu sei. Adianto apenas que foram escritas com verdadeira alegria (caso único em toda a minha produção, seja plástica ou literária) e que gosto do resultado como de qualquer outro trabalho. Afirmo isso por saber que serão desconsideradas por várias razões razoáveis, dentre elas a simploriedade.

Lápis de cor e guacha (24,5x32 cm)

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